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Mensagens

António Aleixo

Não me dêem mais desgostos porque sei raciocinar... Só os burros estão dispostos a sofrer sem protestar! António Aleixo

Quando Eu For Pequeno..... José Jorge Letria

Quando Eu For Pequeno Quando eu for pequeno, mãe,   quero ouvir de novo a tua voz  na campânula de som dos meus dias  inquietos, apressados, fustigados pelo medo.  Subirás comigo as ruas íngremes  com a certeza dócil de que só o empedrado  e o cansaço da subida  me entregarão ao sossego do sono.  Quando eu for pequeno, mãe,  os teus olhos voltarão a ver  nem que seja o fio do destino  desenhado por uma estrela cadente  no cetim azul das tardes  sobre a baía dos veleiros imaginados.  Quando eu for pequeno, mãe,  nenhum de nós falará da morte,  a não ser para confirmarmos  que ela só vem quando a chamamos  e que os animais fazem um círculo  para sabermos de antemão que vai chegar.  Quando eu for pequeno, mãe,  trarei as papoilas e os búzios  para a tua mesa de tricotar encontros,  e então ficaremos debaixo de um alpend...

Foi um momento .... poema de Fernando Pessoa

Foi um momento  O em que pousaste  Sobre o meu braço,  Num movimento  Mais de cansaço  Que pensamento,  A tua mão  E a retiraste.  Senti ou não ?  Não sei. Mas lembro  E sinto ainda  Qualquer memória  Fixa e corpórea  Onde pousaste  A mão que teve  Qualquer sentido  Incompreendido.  Mas tão de leve!...  Tudo isto é nada,  Mas numa estrada  Como é a vida  Há muita coisa  Incompreendida...  Sei eu se quando  A tua mão  Senti pousando  ‘Sobre o meu braço,  E um pouco, um pouco,  No coração,  Não houve um ritmo  Novo no espaço?  Como se tu,  Sem o querer,  Em mim tocasses  Para dizer  Qualquer mistério,  Súbito e etéreo,  Que nem soubesses  Que tinha ser.  Assim a brisa  Nos ramos diz  Sem o ...

Nova Luz..... Teixeira de Pascoaes

Emana um fumo de alma o crepitar do lume: O incêndio duma flor dá a cinza do perfume. O corpo de uma onda é o líquido braseiro, Que exala, no infinito, o branco nevoeiro. Teixeira de Pascoaes

Pablo Neruda

Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde.  Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se. Pablo Neruda

NATAL poema de José Maria Lopes de Araújo

NATAL IV Não me falem de Natal Enquanto o riso der lugar à dor E não for esmagado o mal Pelo Bem e Amor … Não … Não … Não me falem de Natal ! Enquanto a chuva se infiltrar Nos podres tectos de humildes Casebres destelhados, E o frio enregelar Rostos enrugados, Cansados, dos vencidos da vida … Não … Não … Não me falem de Natal ! Só quando tu, que te afirmas homem E dizes ser meu irmão, Me estenderes a mão, Num gesto amigo e fraternal… Então, Para mim, Entendo que só assim Deve e pode acontecer Natal! É preciso que o Mundo entenda Que, em cada dia que passa, Nos corações dos homens, Tem de haver o calor da Graça, Tem de haver natal … E renascer A Paz, o Bem e o Amor… … Só quando isto acontecer Pode acontecer Natal! JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO

As Portas que Abril Abriu...José Carlos Ary dos Santos

AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU ... Que o grande poeta Português José Carlos Ary dos Santos, do Além não veja, que o seu Portugal já não conjuga o verbo no pretérito imperfeito. Errata : Onde se lê.... " ERA uma vez um país ".... deverá ler-se conjugado no presente  Era uma vez um país onde entre o mar e a guerra vivia o mais infeliz dos povos à beira-terra. Onde entre vinhas sobredos vales socalcos searas serras atalhos veredas lezírias e praias claras um povo se debruçava como um vime de tristeza sobre um rio onde mirava a sua própria pobreza. Era uma vez um país onde o pão era contado onde quem tinha a raiz tinha o fruto arrecadado onde quem tinha o dinheiro tinha o operário algemado onde suava o ceifeiro que dormia com o gado onde tossia o mineiro em Aljustrel ajustado onde morria primeiro quem nascia desgraçado. Era uma vez um país de tal maneira explorado pelos consórcios fabris pelo mando acumulado pelas ideias nazis pelo dinheiro estragado pelo dobrar da c...