29 de janeiro de 2007

António de Medeiros Pereira





Tua boca nacarada
É o sensual cartaz
E o cofre que arrecada
Os beijos que não me dás...


A tua boca formosa
Cheia de vida e de frescor,
Parece um botão de rosa,
Abrindo em beijos de amor.


Teus olhos aveludados,
Onde há malícia e paixão
São a causa dos pecados,
Que trago no coração



Poema de " António de Medeiros Pereira " S.Maria -Açores



Do livro de ADRIANO FERREIRA " As Musas da Minha Terra "

22 de janeiro de 2007

JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO * Irmã Tristeza *







IRMÃ TRISTEZA



Era uma vez ... Fatigada
De fazer sofrer e magoar,
Uma fada encantada,
Cansada de chorar e fazer chorar,
Entrou dentro de mim e disse :

- Não quero mais sair desta prisão !
Vou, para sempre, aqui ficar ...
Venho, para sempre morar,
Dentro do teu coração !

- Quem és tu ? – interroguei,
Apavorado.
Ela respondeu :
- Não sei ... não sei ..
Só sei que te não posso ver,
Viver assim,
Atormentado !

Mas, quem és tu, quem me fala assim ?
- És a dor? A saudade ? A amargura ?
- Onde moras e donde vens ?
Do mar ? Do céu ? Da noite escura ?
Ou do ignoto mistério da natureza ?

E a voz de longe respondeu,
Baixinho, como quem reza –
- “ Sem mais sim, sem mais não “ :
- Sou a tua irmã tristeza !
Que importa quem seja eu,
Se vier, nos braços da paz,
Para sempre, adormecer
Dentro do teu coração !

Lopes Araujo

19 de janeiro de 2007

11 de janeiro de 2007

VITOR CINTRA " Eu Vi ... "




Eu vi passar o tempo, sempre á 'spera
Que a sorte bafejasse o meu país
E que, vencido o medo de Quimera,
Fortuna fosse mais do que se diz.

Eu vi passar os anos de revolta,
Por todas as partidas de Destino,
Sabendo de há um tempo, que não volta,
No Fado, que abracei desde menino.


Eu vi as muitas Moiras, que se cruzam
No palco desta terra lusitana,
Querendo proteger a massa humana;

Mas vi, também, as Parcas, que nos usam,
Tentando demonstrar que é errado
Um povo destemido ser honrado.


Vitor Cintra

Do livro " Ao Acaso "

3 de janeiro de 2007

Poema de João Delvino Chaves Baptista - Ilha de S. Maria


Ser jovem é ser alguém!
Ter o orgulho da raça
E impor-se lá no fundo.
Ser jovem é também,
Trazer nos ombros a esperança
De crescer com o mundo.
Ser jovem é estar mais perto !
Ter no coração a realeza
Na sua luta pela realidade.
Ser jovem é também estar certo
E ter nessa certeza,
O saber simples da verdade.
Ser jovem é ter orgulho!
E se, na luta ser duro
Necessário o for, ser.
Ser jovem é também ter brilho,
De poder ser puro
Contra a cegueira do poder.
Ser jovem é ser alguém!
Ser jovem é estar mais perto!
Ser jovem é ter orgulho
De poder ter, também,
A certeza de estar certo,
E da pureza,



O BRILHO!


João Delvino Figueiredo Baptista

poema de ..... Violante Medeiros Pereira


Um lenço branco
Molhado
Caído na rua ...
Gente indiferente passa;
Suja-o
E amachuca a dor das lágrimas,
Que alguém limpou.
E a gente passa
E as lágrimas
Introduzem-se pouco a pouco,
Nas pedras negras da calçada.



Violante Medeiros Pereira
S. Maria - Açores

Do Livro " Musas da Minha Terra "
de

ADRIANO FERREIRA