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EM BUSCA DO AMOR de Florbela Espanca

O meu Destino disse-me a chorar: " Pela estrada da Vida vai andando, E, aos que vires passar, interrogando Acerca do Amor, que hás-de encontrar. " Fui pela estrada a rir e a cantar, As contas do meu sonho desfiando... E noite e dia, à chuva e ao luar, Fui sempre caminhando e perguntando ... Mesmo a um velho eu perguntei : " Velhinho, Viste o Amor acaso em teu caminho ? " E o velho estremeceu...olhou ...e riu... Agora pela escada, já cansados, Voltam todos pra trás desanimados ... E eu paro a murmurar : " Ninguém o viu"! ..." FLORBELA ESPANCA

* SONETO * poema der E.E.Cummings (E.U.A)

Não será sempre assim... Quando não for, Quando teus lábios forem de outro; quando No rosto de outro o teu suspiro brando Soprar; quando em silêncio, ou no maior Delírio de plavras desvairando, Ao teu peito o estreitares com fervor; Quando, um dia, em frieza e desamor Tua afeição por mim se for trocando: Se tal acontecer, fala-me. Irei Procurá-lo, dizer-lhe num sorriso: " Goza a ventura que já gozei". Depois, desviando os olhos, de improviso, Longe, ah tão longe, um pássaro ouvirei Cantar no meu perdido paraíso. Tradução de : Manuel Bandeira Livro: Rosa do Mundo

* Á Cara Metade * poema de ADRIANO FERREIRA

É na paz do teu olhar, cheio de amor: No arroubo da sua luz, que me ilumina: No seu fulgor ingénuo de menina, Onde embate meu ego, com fragor! É nesse mar imenso de ternura; No amplexo envolvente da sua calma, Onde se espalha a pureza da tua alma E onde mergulha a minha e se depura! Quando, um dia, decrépito, no fim, Já muito perto da última viagem, Rezarei para estares junto a mim. E no meu leito de morte, moribundo, Gravarei, nas pupilas, tua imagem -Meu doce guia, lá no outro mundo. ADRIANO FERREIRA Poeta da ilha de S.Maria - Açores

Fernando Pessoa

Tenho tanto sentimento Que é frequente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal. Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a errada. Qual porém é verdadeira E qual errada, ninguém Nos saberá explicar; E vivemos de maneira Que a vida que a gente tem É a que tem que pensar.

* BRUMAS * Poema de Vitor Cintra

Nas brumas dos meus silêncios Nascem visões encantadas, Com ninfas, bruxas e fadas, Sonhos de amor, sempre densos. Nas brumas dos meus silêncios, Onde os mistérios são nada, Surgem paixões exaltadas, Feitas desejos, imensos. Nascem lembranças, eivadas De sensações adiadas E cheiros breves, intensos, Sem ilusões ansiadas, Em desespero, guardadas Nas brumas dos meus silêncios. VITOR CINTRA do livro " MURMÚRIOS "

FERNANDO MONTEIRO DA CÂMARA PEREIRA poema " ...Á Velocidade do Amor"

Montei minhas asas brancas e corri para ti à velocidade do amor ...fugias louca rubra informe mais célebre mais célebre ainda mas num amplexo parido na furia do meu desejo absorvi teu corpo espuma ... Desapareceste de meus braços teu cheiro teu som teu eco se desfez no horizonte em pó em vento em nada Derrotado Inerte Fernando Monteiro Do livro " Mar Branco " Ilha de S.Maria - Açores

" NÓS "
poema de VITOR CINTRA

P'ra todos nós o segredo Duma vivência serena, Vem de mão dado co'o medo; Que torna a vida pequena, Atroz. Quantos de nós fomos reis Duma utopia sem par? Quantos ditámos as leis Num reino de imaginar? ... Sem voz! ... Quantos de nós fomos pajens Dalgum senhor que há nos sonhos? Quantos fizemos viagens Rasgando mundos medonhos? ... Mas sós! ... Quantos de nós, por desejo De desvendar o mistério, Fomos perdendo o ensejo De ver aquilo que é sério, Em nós? ... Vitor Cintra do Livro " Murmúrios "