31 de agosto de 2005

VITOR CINTRA " ÀS VEZES "

Às vezes choro.
Às vezes canto.
Outras namoro
‘squecendo o pranto.

Às vezes sinto,
Às vezes não.
Outras desminto
O coração.

Às vezes sonho.
Às vezes faço.
Outras, suponho,
Só embaraço.

Às vezes trago,
Às vezes levo.
Outras apago.
Quando me atrevo.

Às vezes vejo,
Ás vezes não,
Outras desejo
Não ter razão.

Às vezes calo,
Ás vezes digo.
Outras só falo
Se for comigo



Vítor Cintra “ Ao Acaso “

27 de agosto de 2005

O AMOR NÃO TEM IDADE





Quem nunca ouviu esta frase?

Nem me lembro da primeira vez que a ouvi, e a partir dai tenho constatado quanta realidade a mesma contém.

Na verdade, ninguém pode ter a certeza dos sentimentos do outro, e talvez nem se consiga ter a certeza absoluta dos nossos.

Um dia ouvi ou li algo parecido a isto :

Posso dizer que te amo e não amar, posso falar que te quero e não querer, posso inventar palavras que te agradam e nem as sentir, mas uma coisa nunca poderei fazer, é olhar-te nos olhos, dizer que te amo, e tu não te aperceberes da verdade através desse olhar, porque os olhos não mentem, são o espelho que reflecte a alma.

Acabei de ouvir meu filho cantar junto com o som deste fado de Amália " Nem ás Paredes Confesso " , e o pensamento voou para o momento em que o vi chorar, quando a rapariga que ele amava lhe disse, olhando-o nos olhos que já não o amava mais.

Julgo que os jovens têm outra capacidade de encarar esses factos com mais naturalidade do que nós, os pais.

Isto levaria a tecer outras considerações, tais como o desgaste nas relações e o reencontro com outro amor, especialmente a partir de determinada idade.

Agora, aqui para nós, como vamos em questão de amores?

Ainda o confessamos olhando nos olhos, ou será que nem ás paredes o confesso?

Fica um beijo

24 de agosto de 2005

Isabel *** A Música do Meu Sentir ***


Cada música que gostamos, nos tocou de algum modo, em especial.

Marcou um tempo, um momento, um lugar , o amor, uma etapa e tantos outros momentos mais.

A música mais antiga que me lembro, é do Nat King Cole, quando meu pai as assobiava, enquanto aos domingos, os dois passeávamos, teria eu uns 6 anos.

Mais tarde, era eu estudante , Roberto Carlos, Elvis Presley e outros , enchiam de sonhos as cabeças e os corações dos jovens da época de 70, onde cada letra das canções pareciam ter sido escritas por mim, ou para mim.

Depois, veio a fase em que trabalhei na rádio e aí, felizmente tive oportunidade de ouvir belíssima música, criar os meus próprios programas de rádio.

As opções eram muitíssimas, foram os melhores anos da música, Dire Straits , Otis Reding, Credence Clearwater Revival , Roy Orbison, Jimi Hendrix, Tom Jones, Frank Sinatra e tantos outros, que é dificil enumerar aqui.

Por outro lado, foi também nessa altura , o meu primeiro contacto com a música de Intervenção e a Poesia. A poesia declamada por João Vilarett, por Eunice Nuños, os serões em casa de Amália com Vinicius, Ary dos Santos, etc,. Existiam nessa estação de rádio Clube Asas do Atlântico, na minha ilha de S. Maria, as bobines gravadas com as peças teatrais do grande Poeta Micaelense, que viveu durante muitos anos nesta ilha, José Maria Lopes de Araújo.

Nessa altura a Estação Emissora do Clube Asas do Atlântico, vivia um grande momento da sua história, note-se que a TV Açoriana, só uns anos depois apareceu, daí que o único meio de divulgação cultural nos Açores, era principalmente feito através das Estações Emissoras de rádio especialmente a RDP em S.Miguel, Rádio Clube de Angra na ilha Terceira e o Asas, vulgarmente conhecido, aqui em S. Maria.

Com saudade recordo, o primeiro disco que ofereci ao meu namorado, há 30 anos atrás.

Esqueci por completo do título e do nome do cantor, ( não do namorado….) mas a música, essa, continua no nosso interior,no nosso ouvido, no nosso coração, fazendo parte duma história de vida .

Um destes dias certamente, a voltarei a ouvir talvez no Rádio Clube Português, quem sabe..., numa viagem entre Cascais /Lisboa, depois de algum jantar romântico pela Marina de Cascais…….quiçá uma oportunidade a não perder.


Os ABBA e Demis Roussos, eram grande êxito no ano em que nasceu minha primeira filha.

Norah Jones-
As músicas que quis ouvir na Ala Magna, de mão dada, fingindo que a Norah só contava para mim.

Rui Veloso “ Primeiro Beijo “
Não sei porquê, mas faz-me lembrar um casal de namorados num banco de Jardim, porventura , imagino algum casal algures num banco de jardim, no Campo Grande ou Campo Pequeno…nem sei.
Ouvi esta música ao vivo no Nordeste, da Ilha de S. Miguel, no ano passado, e voei em pensamento.

Ás vezes gostaria de ser gaivota...voar entre terra e mar...

Júlio Iglésias -
Ao vivo , onde cada música me fez navegar num turbilhão de sonhos, numa belíssima noite de luar, num campo de futebol em Ponta Delgada.....Júlio....o luar, o som, a voz, e EU.

Há a música Cubana, linda.... que um dia recebi por e-mail, e há aquela outra, que partilhei numa programação, exclusiva para mim, via Internet....momentos únicos.

A música da Guitarra Portuguesa, com acordeão, grandes êxitos de Amália, ouvida no silêncio da noite , depois de uma noite de fados no Bairro Alto.

No passado dia 15, meu presente de aniversário, um concerto dos Delfins.

Miguel Ângelo cantou (só para mim….), as músicas que tantas e tantas vezes recebi, em forma de poema, como se fossem poemas originais, feitos para mim.

Há tanta e tanta música , que me faz divagar, e em cada uma lembrar e relembrar um momento, aquele que é meu, e aquele outro momento partilhado, e não mais olvidado.

Há por fim a música do meu telemóvel, aquela que toca, quando chamas por mim, e que me diz pela voz do Bob Marley “ Don’t Worry…Be Happy”.

Há a música que os anjos tocam em harpas, todas as vezes que me sinto feliz.

E há somente a MÚSICA……, aquela que é feita de palavras, e que tão bem soa, aos nossos ouvidos.



Isabel

18 de agosto de 2005

Vinicius de Moraes * Soneto do Amor Total *

SONETO DO AMOR TOTAL



Amo-te tanto, meu amor... não cante,
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante,
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude,
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente,
Hei de morrer de amar mais do que pude


Vinicius de Moraes

17 de agosto de 2005

Nilzeth Alcântara ** COMO DIZER ... **

COMO DIZER...


O sol queima na pele, outro dia chegou…
Pousa calada na parede, uma borboleta negra.
Inerte, observo a tua foto congelada na tela das recordações...
Quadro de um passado ainda tão presente.
Vivas, suas lembranças permeiam, num pensamento sem som.
Ah! Como dói perder o sonho que foste um dia;
O desejo que se esvaiu por não te encontrar...
Como arrancar aqui de dentro, esta coisa que contradiz...
Como sublimar no sentimento, este fracasso sem dores.
Como te dizer, AMO-TE!
Como esconder que no coração,
Encontra-se calado o aroma do nosso amor, nossa paixão;
O sabor do beijo que não sentimos
O afago das mãos que não vivemos,
A loucura do amor que não fizemos.
Fecho os olhos…
Retrato num sonho a tua imagem,
Que surge a brincar de ciranda na amarelinha riscada;
Anjo tão sublime beijando-me a cada anoitecer.
Como romper esta dor...
Dor, que mata e destrói.
Como afastar você da minha vida,
Se mesmo negando, é tu a luz que necessito para viver.
Anjo! Diz-me apenas o que posso fazer.



Nilzeth Alcântara

13 de agosto de 2005

JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO poema *** SEGREDOS ***

Visite também o blog onde se encontram publicados poemas deste Poeta Açoriano,
JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO


  • REMOS PARTIDOS




  • SEGREDOS

    Trago em meu peito segredos,
    Tantos segredos guardados...
    Segredos doutros segredos,
    Que nunca foram contados.

    A fonte diz-me segredos;
    Segredos me diz o mar,
    Quando bate nos rochedos,
    A luz triste do luar!...

    Segredos conta-me o vento,
    Se o ouço à noite, a gemer;
    Segredos do seu tormento
    Que só eu posso entender.

    Diz-me segredos o cardo,
    O tôjo, a rosa, o jasmim...
    Ai, quantos segredos guardo,
    Para sempre, dentro de mim!

    E quando o sol, de mansinho,
    Vai perder-se no poente,
    Segredos me diz, baixinho,
    Da sua mágoa pungente ...

    E a noite diz-me também
    Segredos da solidão,
    Que só eu, e mais ninguém,
    Pode ter no coração.

    Um segredo só existe
    De que eu sei o encanto:
    - A razão porque sou triste ...
    - Porque choro quando canto.



    JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO

    do livro de Poemas
    " NOITE DE ALMA "

    5 de agosto de 2005

    JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO poema ~~ NO MEIO DO MAR ~~

    NO MEIO DO MAR

    Nasci nas ondas que beijam
    As encostas dum vulcão…
    E quando à noite adormeço
    A minha terra é o berço
    Que embala meu coração!

    Por tecto só tenho nuvens
    Meu horizonte é o mar…
    Se tivesse asas, um dia,
    Certamente que partia
    Para nunca mais voltar.

    ………………..

    Querer partir e não ter
    Um chão para caminhar



    JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO do Livro de poemas " HORAS CONTADAS " 1992