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Mensagens

Vitor Cintra " SONHO "

SONHO Chegaste ... de repente e sem aviso ! O delírio, num sorriso, chamando. Corpo e alma e tudo em mim vibrando, no vislumbre do ensejo, numa ânsia, num desejo, de ti. Ilusão que me sorri! Contraste doutros dias, maus, sem fim. Vitor Cintra " Momentos "
Duma amiga que a net me presenteou, aqui fica um poema que amávelmente me enviou. Um beijo para ti Céu Saudade Não posso viver sem ti Não quero viver sem ti. Dizem-me que sou forte Que a vida continua... Mas eles não sabem Que nós éramos um, E se éramos um, Como separar uma parte? Não Gi! Eles não entendem, não sabem, Porque não se amam como nós. Eu sei que não queres que eu chore Não posso suster as lágrimas Lágrimas de amor, saudade, Tristeza por não te ter comigo. Sofro muito e sei que tu não queres. Mas tu conheces-me, Tu sabes que não sou tão forte assim. Como é difícil passar sem as tuas mãos, O teu carinho, A tua loucura por mim. Gi, olha por mim. Ouve-me, ajuda-me, Espera-me. Maria do Céu Câncio 1999.09.25

Miguel Torga " Súplica "

* SÚPLICA * Agora que o silêncio é um mar sem ondas, E que nele posso navegar sem rumo, Não respondas Às urgentes perguntas Que te fiz. Deixa-me ser feliz Assim, Já tão longe de ti como de mim. Perde-se a vida a desejá-la tanto. Só soubemos sofrer, enquanto O nosso amor Durou. Mas o tempo passou, Há calmaria... Não perturbes a paz que me foi dada. Ouvir de novo a tua voz seria Matar a sede com água salgada Miguel Torga

JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO *** Amor Supremo ***

*** AMOR SUPREMO *** Amei o vento, em doida correria, Por noites de medonha tempestade … Amei …Amei a minha mocidade … Escura noite, em vez de claro dia. E quis manhãs alegres, radiosas, Manhãs cheias de sol, cheias de luz; E amei até a minha própria Cruz, Feita de dor e lágrimas saudosas! Amei o mar e a onda enraivecida Que vai perder a sua própria vida, Contra o rochedo velho, secular … Amei enfim, a Natureza inteira … Mas, das paixões é esta, esta a primeira, Pois, como a ti, eu nunca soube amar! José Maria Lopes de Araújo do livro de poemas “ Cinzas Quentes “

JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO poema ** AMOR **

AMOR No vasto mar, no céu ou na montanha, Na serra ou no planalto adormecido, Eu vejo-o a vaguear tonto e perdido, O louco amor ….essa figura estranha ! Amor, irmão da noite ….amor tristeza, Amor escuridão …tédio …pavor … Nostálgica visão de sonhador … Amor inquieto e feito de incerteza ! Amor em labareda … Amor em chama… Amor que aquece a alma regelada … Que chora e ri, e canta, e geme , e clama Em vão! … Amor que é tudo ! Amor que é nada ! … Quando sofro, alivio a minha dor, Chorando; e quanto é bom chorar assim … Com lágrimas dizendo, como em mim, Crepita e arde o fogo dum Amor ! José Maria Lopes de Araújo do livro de poemas “ Noite de Alma “

JOSÉ MARIA LOPES DE ARÚJO poema ** Paisagem **

PAISAGEM Trinados de passarinhos, Sombras frescas, perfumadas, Pastagens, fontes e ninhos E nascentes encantadas! Por solitários caminhos, Em alegres madrugadas, Trabalhadores e velhinhos Passam com suas enxadas. Na aldeia, só finda a vida Quando o sino duma ermida Dobrando toca Trindades. Quando vai o sol morrendo E vem a noite descendo Num crescendo de saudades! José Maria Lopes de Araújo " Noite de Alma "

JOSÉ MARIA LOPES DE ARÚJO poema " Outono da Vida "

OUTONO DA VIDA No doloroso rescaldo das labaredas Que queimaram meus sonhos, minhas esperanças, Vem a misteriosa voz do longe Gritar mensagens íntimas, poemas singulares, Em cantares do meu sentir... Presidiário do Mar, Meu desumano carcereiro, Sentindo-me cada vez mais só, Abafado no silêncio esmagador Desta insular solidão, Da minha amarga dor, Saí de mim próprio, em louca evasão... Queria gritar, bem alto, De modo que todo mundo ouvisse, O verbo amar ... o verbo amar, Em noites de luar, Ou manhãs de frio vendaval. Que loucura a minha ... Quero receber as gotas de mágoa Das horas distantes do meu viver ... Estou no Outono da vida ... Quando as folhas ressequidas rodopiam E a brisa chora como violino gemebundo ! ... Há palavras que não entendo Na minha solidão: O ontem, o hoje, o amanhã E aquilo que vive, cá dentro, Cá dentro, no coração ... O silêncio das coisas, O sal das lágrimas, Os sorrisos tristes, As esperanças diluídas , As chuvas, que sã...